23 de março de 2011

No passado, você era o sinônimo do amor. No presente, você é o sinônimo do sofrimento. E pode apostar, no futuro, você será o sinônimo do esquecimento.
Não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou. verifico que, tantas vezes alegre, tantas vezes contente, estou sempre triste.
Vi(a)je, da(n)ce, a(t)ue, conh(e)ça, e(s)creva, (q)ueira, brig(u)e, am(e), de(s)eje,  d(e)sencane, (j)ure, corr(a), (t)ente, sorri(a), enca(r)e, per(d)oe, apaixone-s(e)
Não tô triste, nem feliz, tô levando. Sobrevivendo dias após dia, um passo de cada vez, tentando não tropeçar.
“Não sou de demonstrar sentimentos, mas sou cheio deles. Eu sofro em silêncio, amo com o olhar e falo por sorrisos”
Bob Marley
A gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, queremos que absolutamente tudo dê certo, e às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada.

21 de março de 2011

Eu só quero ficar sozinha. Não preciso de ninguém hoje. Eu só quero poder chorar tudo o que eu tenho pra chorar. Me esvaziar de tudo o que está me sufocando agora. Eu só preciso de um tempo para mim, quem sabe assim eu consigo esquecer tudo o que eu quis e deixar o vazio se estender. Eu só quero poder ficar bem. Hoje eu quero o silêncio, o escuro e meu travesseiro. 
É.
    Quando estamos efetivamente ligados à uma pessoa, nós sentimos tudo o que a outra sente. Sua dor, suas alegrias, sua tristeza, seus medos, sua paz; tudo.          
Cecília, Tititi
Sabe o que é dormir e acordar pensando em uma só pessoa? Eu sei.
Um abraço pode não curar tudo, mas ameniza muita coisa.
Mudei muito, mas não deixei de ser quem eu era. Embora mais fria, cautelosa e distante que eu seja agora, escondendo tudo o que eu sinto e passo, ainda sou a mesma de antes. Aquela que chora sem motivo à noite, que se pergunta o que fazer, que tem medo de tudo e ama demais. A extremamente sentimental, emotiva, que pega a dor alheia e faz a dela também. Mas o negócio é que eu aprendi bem a disfarçar - e controlar - essa pessoa do passado.
Talvez o final feliz seja apenas seguir em frente..
Ultimamente vivo numa carência, é uma carência ingênua de carinho, afeto, palavras bonitas, olhares. É carência de alguém, de um colo ou de um abraço, de um ombro para um choro e um desabafo.
E quando te perguntam de mim, o que você diz? 
E sempre acabo no mesmo quarto, na frente do mesmo computador, ouvindo as mesmas músicas… E pensando na mesma coisa.
"Se era amor? Não era. Era outra coisa. Restou uma dor profunda, mas poética. Estou cega, ou quase isso: tenho uma visão embaraçada do que aconteceu. É algo que estimula minha autocomiseração. Uma inexistência que machucava, mas ninguém morreu. É um velório sem defunto. Eu era daquele homem, ele era meu, e não era amor, então era o que?
Dizem que as pessoas se apaixonam pela sensação de estar amando, e não pelo amado. É uma possibilidade. Eu estava feliz, eu estava no compasso dos dias e dos fatos. Eu estava plena e estava convicta. Estava tranqüila e estava sem planos. Estava bem sintonizada. E de uma dia para o outro estava sozinha, estava antiga, escrava, pequena. Parece o final de um amor, mas não era amor. Era algo recém-nascido em mim, ainda não batizado. E quando acabou, foi como se todas as janelas tivessem se fechado às três da tarde num dia de sol. Foi como se a praia ficasse vazia. Foi como um programa de televisão que sai do ar e ninguém desliga o aparelho, fica ali o barulho a madrugada inteira, o chiado, a falta de imagem, uma luz incômoda no escuro. Foi como estar isolada num país asiático, onde ninguém fala sua língua, onde ninguém o enxerga. Nunca me senti tão desamparada no meu desconhecimento. Quem pode explicar o que me acontece dentro? Eu tenho que responder às minhas próprias perguntas. Eu tenho que ser serena para me aplacar minha própria demência. E tenho que ser discreta para me receber em confiança. E tenho que ser lógica para entender minha própria confusão. Ser ao mesmo tempo o veneno e o antídoto.
Se não era amor, Lopes, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não sabe se vai ser antes ou depois de se chocar com o solo. Eu bati a 200Km/h e estou voltando a pé pra casa, avariada.
Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Talvez seja este o ponto. Talvez eu não seja adulta suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, Lopes, de acreditar em contos de fadas, de achar que a gente manda no que sente e que bastaria apertar o botão e as luzes apagariam e eu retornaria minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência?
Eu nunca amei aquele cara, Lopes. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada. Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, era sacanagem. Não era amor, eram dois travessos. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor, era melhor."

(Divã, Martha Medeiros)

19 de março de 2011

Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora com certeza eu enxergo
Que no fim eu amei por nós dois
Mas você lembra!
Você vai lembrar de mim
Que o nosso amor valeu a pena
Lembra, é o nosso final feliz
Você vai lembrar...
Vai lembrar...sim...
Você vai lembrar de mim..
E se eu tivesse feito outras escolhas, onde eu estaria?
Preciso de um tempo pra mim, pra me escutar, calar as vozes dos outros.