"São pensamentos soltos traduzidos em palavras, pra que você possa entender, o que eu também não entendo."
26 de outubro de 2011

Sou estranha. Sinto demais. Penso demais. Questiono e analiso demais. Vejo coisas que talvez você não veja. Me importo com detalhes que para você, podem ser inúteis. Muitas vezes não consigo ver o todo: me detenho em sutilezas, em partes, monto quebra-cabeças a todo momento. Tudo é muito grave, palavras são marcadas em mim como ferro em brasa. Sou uma exagerada, quando feliz e quando triste. Provoco vendavais, tempestades em copos ainda vazios. Disfarço minha carência em autossuficiência. Tenho tanto medo de perder, que me abrigo em minha própria solidão, e é ela que tornar-se-á seu maior rival. Entendo o amor de uma forma tão complexa, que às vezes parece que não amo. Não sei responder perguntas com sim ou não. Não suporto nada pela metade, mas amo meias palavras. O que você pensa que me atrai, é o que me afasta: não sigo moldes, não tenho comportamento previsível. Esqueça o que você já viveu. Esqueça as fórmulas, as frases feitas, as desculpas prontas, as teorias. Não me inclua em gêneros, não tente adivinhar meus pensamentos. Posso perdoar absurdos gigantescos, mas de repente um dia você me diz uma frase impensada, que para mim pode soar como uma despedida. E eu posso nunca mais voltar. Ou volto correndo, pedindo perdão, em meio às lágrimas. Depende da forma como percebo os acontecimentos. Sempre irei te surpreender. Posso ser doce e agressiva, te encher de dúvidas e certezas, tudo em um mesmo dia. Não sou exposta, não estou pronta para ser lida. Sou uma caixa fechada, de linda embalagem e conteúdo desconhecido. Você não terá dúvidas de quem eu sou, mas terá dúvidas quanto ao meu amor. Comigo, sempre haverá vazios. Perguntas. Páginas em branco. Histórias a serem escritas. Sem começo, nem fim. Porque o amor, para mim, não é assim, essa coisa tão banal. Tão fácil. Tão indolor. E lamento por isso, às vezes. E lamento também por você. Que talvez merecesse um amor mais simples de ser vivido. Mas eu, eu quero um desejo complexo, inexplicável, arrebatador, sabe aqueles que te tiram o fôlego.. então, te desejo um desses também.
“A gente espera um grande amor, uma grande sorte, uma grande beleza, uma grande fortuna e esquece de olhar pras miudezas. Esquece que grandioso, é o pequeno, o singelo, essas coisinhas que vão passando despercebidas. Esquece que a felicidade não está apenas no presente, mas também nos laços e papéis coloridos que o embrulham. A gente espera grandes eventos e esquece que a felicidade chega sem avisar. Espera uma sinfonia cheia de acordes e sons, e esquece que a felicidade não é esse grito. São sussurros, que só escutam aqueles que sabem ouvir o canto da simplicidade.”
(Paula Andrade)
(Paula Andrade)
Cara, sabe o que eu tô querendo? Não, melhor, sabe do que eu tô precisando? Novas pessoas, daquelas bem felizes e sem nada na cabeça, que dá gosto de se ter por perto, lugares pra visitar — do tipo que tu admira por foto —, coisas desconhecidas pra fazer, algumas loucuras, tempo livre pra gastar e novos erros pra cometer… Cansei das pessoas e das suas exigências que não posso cumprir e suas cobranças que não sei corresponder à altura, dos lugares entediantes, de fazer sempre as mesmas coisas chatas, e principalmente de cometer o mesmo erro várias vezes esperando que o resultado seja diferente.
(Vinícius Kretek)
(Vinícius Kretek)
24 de outubro de 2011

“E sei, bem até demais, que as pessoas estão se dirigindo ao fundo do poço com vontade e rapidez. E a verdade é que, apesar de todos os pesares, apesar de todas as desanimações e medos e traumas e roubos - na alma, no coração, na pele - desejo que prevaleça o sentimento de que, no fundo, a verdade sempre é boa, e que a vida, apesar de seus baixos e escuros vales, tem os mais altos topos com as mais lindas vistas.”
(Beatriz Cardoso)
18 de outubro de 2011

“Estar bem e feliz é uma questão de escolha e não de sorte ou mero acaso. É estar perto das pessoas que amamos, que nos fazem bem e que nos querem bem. É saber evitar tudo aquilo que nos incomoda ou faz mal, não hesitando em usar o bom senso, a maturidade obtida com experiências passadas ou mesmo nossa sensibilidade para isso. É distanciar-se de falsidade, inveja e mentiras. Evitar sentimentos corrosivos como o rancor, a raiva, e as mágoas que nos tiram noites de sono e em nada afetam as pessoas responsáveis por causá-los. É valorizar as palavras verdadeiras e os sentimentos sinceros que a nós são destinados. E saber ignorar, de forma mais fina e elegante possível, aqueles que dizem as coisas da boca para fora ou cujas palavras e caráter nunca valeram um milésimo do tempo que você perdeu ao escutá-las.”
(Fernanda Young)

Cansei dessa história de meio termo. Sabe, ou é ou não é, certo? Então por que não se decidistes ainda? Se me quer, venha. Se não me quer, continue aí. Cansei, mesmo! Não, não estou desistindo… só cansei de insistir e, acho que a minha parte já está feita. Você sabe que eu preciso da minha cura: você. Aliás, tenho um tanto de receio quanto a isto, pois tenho muito medo de precisar de ti sempre e para sempre. (…) Só que é como eu disse: essa coisa de meio termo me intriga. Odeio que me faça sentir vivo, depois morto. Odeio quando é extremamente quente, podendo fazer com que meu sangue bombeie com pressa e arrepie o meu corpo todo só com o toque da sua mão, e aí depois é extremamente congelante, fazendo com que o seu silêncio grite na minha cabeça. E odeio que faça meu mundo ficar leve com sua presença e depois pesado com a ausência dela. É, odeio. Porque você faz ele ficar leve quando estou contigo. Eu rio alto, esqueço dos problemas, só ouço sua voz. Nem o barulho dos carros eu ouço… Mas, aí depois, você faz ele ficar extremamente irritante, e ao contrário. Eu ouço barulho dos carros, vozes de pessoas estranhas andando na rua, e tudo, tudo mesmo parece me irritar profundamente, porque o volume do mundo aumenta, sendo capaz de deixar a minha vida surda. Tudo isso por eu sentir sua falta, sabia? Então, seja só uma coisa, não duas. Haja somente de um modo. Um dia é uma coisa e outro dia é outra? Isso comigo não. Não mesmo! Venha e permaneça para sempre, ou venha e nunca mais volte, aliás, não venha. Se decidir que não me quer, então continue aí. Porque, eu não gosto disso. E também, é melhor dizer agora, porque aí já desocupo o espaço no coração e o seu lugar na minha cama.
(hard-heart)
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